
Conheci a Elizabete, a Professora Elizabete ou simplesmente a Bete quando eu fazia a 5ª série. Se não me engano, ela havia acabado de chegar em Palmas, e me dava aula de Artes. Me lembro que era a minha professora predileta, não só por que eu gostava da matéria, mas por que ela era muito legal, divertida.
Uma vez fiz uma cartinha pra ela, nem me lembro o que havia dentro, se era um texto um desenho... Mas me lembro que escrevi o nome dela errado, e ela achou a maior graça. rs
Quando eu estava na 7ª série, decidi que queria fazer Artes Cênicas na faculdade, não me lembro por que, mas comentei com ela, ela abriu um enorme sorriso e começou a me contar de todas
as coisas maravilhosas que ela havia feito enquanto fazia o curso, até perdi o intervalo, mas eu não me importei, por que eu adorava conversar com ela.
Eu sai daquela escola, e por isso ela deixou de ser minha professora, para ser colega, sim, colega... Nos encontra
mos em algumas oficinas de dramaturgia do SESC. Me lembro de uma que eu não estava me sentindo muito bem, e ela veio conversar comigo, saber como eu estava, sempre muito atenciosa.
Uma vez discutimos pelo orkut sobre Leitura Dramática, ela não havia concordado com a avaliação que eu e uma amiga havíamos feito da apresentação de alguns alunos dela, sempre tentando ensinar, ela mandou textos e mais textos sobre o assunto, pra que a gente lesse e aprendesse mais.
Fico me perguntando: “Como alguém é capaz de tirar a vida de outra?” Não importa qual seja o motivo, não consigo imaginar o que passa na cabeça de uma pessoa que o faz. Assisti um filme esses dias que dizia : “Somos animais, como pra qualquer animal, matar é instinto. Mas somos racionais, e as convenções, dizem que não devemos matar, por isso não fazemos”, não concordo. Justamente por sermos racionais, nós sabemos que não é preciso matar, por motivo algum. Acho que este é tipo de assunto que pode levar horas e horas de discussão, sem chegar a um consenso.
Além da família, e dos amigos próximos, existe um grupo que vai sentir muita falta desta querida professora, são os seus alunos de teatro do Espaço Cultural de Palmas, eis aqui um pouco do que eles sentem, e de alguma forma tentam explicar a falta que a “mestre” ira fazer...
Alguém apagou a Luz
“Poema dedicado a Elizabete Contini”
O que aconteceu? ninguém sabe explicar!
A luz se apagou, o teatro escureceu;
Agora procuro e não consigo encontrar;
O que encantava a todos ...
O que aconteceu? ninguém quer explicar!
Por que a luz se apagou e o teatro escureceu?
Cadê a luz que me ensinava a brilhar?
Sua ausência é presença constante!
Se alguém pudesse explicar
Eu queria ser o primeiro a saber;
O porquê de alguém querer apagar essa luz;
Que brilhava e nos fazia tão bem
Será que alguém, algum dia vai explicar?
Todos querem entender,por que naquelas salas e corredores;
Onde escutávamos suas gargalhadas contagiantes;
Agora silêncio que não queremos escutar.
O que aconteceu? Alguém pode me explicar?
Será que eu vou entender?
Minhas lembranças se tornam consolos;
Guardados de uma enorme interrogação, do porquê ?
Se alguém puder me explicar Quem apagou nossa luz,
Não me diga nada,não quero saber...
Apenas fecharei meus olhos para relembrar daquela luz
Que iluminava e talvez um dia a reencontrar !
"Em todas manifestações de artes em minha vida eu vou lembrar de quem ensinou meus primeiros passos!"
Fabyn Branquin
Nota:Elizabete Contini, 45 anos, era professora concursada do Centro de Criatividade(Espaço Cultural de Palmas), onde lecionava aulas para crianças e adolescentes,
atuando na criação, montagem e direção de espetáculos teatrais. A professora foi encontrada sem vida, próxima à Praia do Prata (Palmas-TO) na noite de terça-feira, 13/07/2010, de acordo com a Policia com marcas de estrangulamento. Ela havia desaparecido na segunda-feira, 12/07/2010 . O corpo foi velado e enterrado no Cemitério Jardim da Paz. Até a data de hoje,15/07/2010,ainda não se sabe quem o fez, nem porque motivo a professora foi assassinada.
“É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais "